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Porque é que voltar à rotina pode ser tão difícil?
Ansiedade, stress e sobrecarga emocional no regresso ao quotidiano.
19 de setembro de 2026
Setembro costuma ser apresentado como um mês de novos começos. Regressamos ao trabalho, reorganizamos horários, recuperamos responsabilidades e estabelecemos novos objetivos.
No entanto, para muitas pessoas, este período é acompanhado por ansiedade, irritabilidade, cansaço e dificuldade em recuperar o ritmo habitual.
Porque acontece?
O cérebro precisa de se adaptar às mudanças
Durante as férias, os nossos horários, exigências e responsabilidades podem ser diferentes. O regresso ao trabalho exige uma nova adaptação, sobretudo quando implica recuperar rapidamente múltiplas tarefas.
O stress é uma resposta natural às exigências e aos desafios. Contudo, quando é intenso ou prolongado, pode afetar o bem-estar físico e psicológico.
Não significa necessariamente que exista uma perturbação psicológica. Pode ser uma resposta transitória a uma fase mais exigente.
Quando a rotina se transforma numa fonte de ansiedade
O problema nem sempre está na quantidade de tarefas. Por vezes, está na forma como as antecipamos.
Pensamentos como "Não vou conseguir fazer tudo", "Já estou atrasado" ou "Tenho de recuperar o tempo perdido" podem intensificar a preocupação e a sensação de sobrecarga.
Algumas pessoas começam a apresentar dificuldades de concentração, alterações do sono, tensão muscular, irritabilidade e preocupação persistente.
Estes sinais não permitem, isoladamente, estabelecer um diagnóstico, mas merecem atenção quando se tornam frequentes ou interferem no funcionamento diário.
Cinco estratégias para facilitar o regresso
1. Estabeleça prioridades realistas.
Nem tudo precisa de ficar resolvido na primeira semana. Identifique as tarefas importantes e distribua-as pelos dias seguintes.
2. Recupere progressivamente os horários.
A regularidade do sono, das refeições e dos períodos de descanso pode contribuir para uma adaptação mais equilibrada.
3. Reconheça os pensamentos de exigência excessiva.
Quando surgir a ideia "Tenho de conseguir fazer tudo", experimente perguntar:
"O que é verdadeiramente necessário fazer hoje?"
4. Preserve momentos de recuperação.
O regresso às responsabilidades não deve significar a eliminação completa do lazer, da atividade física ou do contacto social.
5. Observe como se sente.
Procure identificar o que está a gerar maior tensão.
É o volume de trabalho?
A dificuldade em estabelecer limites?
O receio de falhar?
Compreender o problema é um passo importante para encontrar estratégias ajustadas.
Quando procurar ajuda psicológica?
Se a ansiedade persistir, se sentir dificuldade em controlar as preocupações ou se o sofrimento começar a interferir no sono, no trabalho ou nas relações, poderá ser importante procurar uma avaliação psicológica.
A intervenção psicológica pode ajudar a compreender os fatores envolvidos, desenvolver estratégias de autorregulação e modificar padrões de pensamento e comportamento que contribuem para a manutenção das dificuldades.
Não é necessário esperar que a situação se agrave para procurar acompanhamento.
Mundo da Psicologia
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