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Ataques de pânico: o que acontece ao corpo e porque parecem tão assustadores?
Um ataque de pânico pode surgir de forma abrupta.
4 de outubro de 2026
O coração acelera.
A respiração muda.
Pode surgir tontura, tremor, suor, sensação de aperto no peito ou dificuldade em pensar claramente.
Para quem nunca passou pela experiência, pode ser difícil compreender o grau de medo envolvido.
Para quem está no meio de um ataque, a sensação pode ser:
- «Estou a morrer.»
- «Vou desmaiar.»
- «Vou perder o controlo.»
O sistema de alarme disparou
Durante um ataque de pânico existe uma ativação intensa da resposta fisiológica de ameaça.
O organismo comporta-se como se precisasse de responder rapidamente a perigo.
A dificuldade é que, muitas vezes, a própria resposta corporal passa a ser interpretada como ameaça.
Por exemplo:
O coração acelera.
A pessoa percebe a aceleração.
Pensa: «Há qualquer coisa errada com o meu coração.»
Esse pensamento aumenta o medo.
O aumento do medo intensifica novamente os sintomas físicos.
Forma-se assim um ciclo.
Porque é que a respiração pode alterar tantas sensações?
Quando estamos ansiosos, o padrão respiratório pode modificar-se.
Respirar rapidamente ou de forma superficial pode contribuir para tonturas, sensação de irrealidade, formigueiro ou outras sensações desagradáveis.
Quando essas sensações são interpretadas como sinal de perigo, a ansiedade aumenta.
Isto não significa que todas as queixas físicas devam ser automaticamente atribuídas a ansiedade.
Sintomas novos, graves ou clinicamente preocupantes devem ser avaliados por profissionais de saúde.
Depois do primeiro ataque, pode surgir medo do próximo
Um dos elementos particularmente importantes na perturbação de pânico é aquilo que acontece entre os ataques.
A pessoa começa a observar o corpo.
- «Está o coração mais rápido?»
- «Senti uma tontura?»
- «E se voltar a acontecer?»
Pode começar a evitar locais onde acredita que seria difícil obter ajuda.
Transportes públicos.
Centros comerciais.
Filas.
Conduzir.
Ficar sozinho.
A vida começa gradualmente a organizar-se em torno da prevenção de outro ataque.
A monitorização corporal aumenta a sensibilidade
Quando estamos constantemente atentos ao coração, respiração ou equilíbrio, começamos a detetar pequenas variações que anteriormente passariam despercebidas.
Estas variações tornam-se matéria-prima para novas interpretações catastróficas.
É importante compreender que sentir um sintoma não significa necessariamente perigo.
Um ataque de pânico é perigoso?
Apesar de extremamente desconfortáveis, os ataques de pânico não são, por si mesmos, equivalentes a um evento médico grave.
No entanto, sobretudo perante um primeiro episódio ou sintomas atípicos, é importante realizar avaliação médica quando necessário para excluir outras causas.
Depois de estabelecido o diagnóstico, compreender o mecanismo do pânico constitui frequentemente uma parte importante do tratamento.
Como pode ajudar a psicoterapia?
A Terapia Cognitivo-Comportamental possui evidência relevante no tratamento da perturbação de pânico. Revisões recentes incluem a TCC entre as intervenções com suporte consistente para perturbações de ansiedade, e estudos mostram benefício mesmo quando disponibilizada por videoconferência.
O tratamento pode incluir psicoeducação sobre os sintomas, trabalho sobre interpretações catastróficas, exposição a situações evitadas e, quando apropriado, exposição controlada às próprias sensações corporais temidas.
O objetivo não é vigiar melhor o corpo
É precisamente o contrário.
É recuperar confiança suficiente para deixar de interpretar continuamente cada alteração corporal como sinal de catástrofe.
No Mundo da Psicologia, acompanhamos pessoas com ansiedade, ataques de pânico e evitamento associado ao medo.
Referências científicas
Nota de evidência: o artigo baseia-se em revisões recentes indexadas no PubMed que incluem a Terapia Cognitivo-Comportamental entre as intervenções com suporte consistente para a perturbação de pânico, incluindo estudos com intervenção por videoconferência.






