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Perfeccionismo: quando fazer bem nunca parece suficiente

Perfeccionismo: quando fazer bem nunca parece suficiente

Perfeccionismo: quando fazer bem nunca parece suficiente

Procurar fazer um bom trabalho, querer evoluir ou ter padrões elevados não é, por si só, um problema.

A dificuldade começa quando a sensação de valor pessoal fica demasiado dependente do desempenho.

A pessoa consegue alcançar um objetivo, mas quase imediatamente pensa no que poderia ter feito melhor. Recebe um elogio e desvaloriza-o. Comete um erro e transforma-o numa avaliação global sobre si própria.

Em vez de satisfação, instala-se uma espécie de linha de chegada que está sempre a afastar-se.

Perfeccionismo não significa simplesmente “gostar das coisas bem feitas”

O perfeccionismo pode envolver padrões extremamente exigentes acompanhados por uma avaliação crítica e rígida do próprio desempenho.

Pode surgir através de pensamentos como: “Tenho de fazer isto perfeitamente.” “Se falhar, vão perceber que não sou suficientemente competente.” “Devia conseguir fazer mais.” “Os outros conseguem melhor do que eu.” “Se não for excelente, não chega.” O problema não reside apenas na exigência. Está sobretudo na forma como a pessoa interpreta aquilo que acontece quando não consegue corresponder às expectativas. Quando o erro parece dizer alguma coisa sobre quem somos Num funcionamento mais flexível, um erro pode significar: “Esta parte correu mal.” Num funcionamento perfeccionista, o mesmo erro pode transformar-se em: “Eu não sou suficientemente bom.” A diferença parece pequena, mas é psicologicamente importante. Num caso, avaliamos um comportamento. No outro, avaliamos a nossa identidade. Quando isto acontece repetidamente, o desempenho pode tornar-se uma espécie de teste permanente ao valor pessoal. Perfeccionismo e procrastinação podem andar juntos À primeira vista parecem opostos. Se alguém é tão exigente, porque haveria de adiar tarefas? Precisamente porque começar significa enfrentar a possibilidade de não conseguir atingir o padrão desejado. A tarefa torna-se pesada antes de começar. A pessoa pode: adiar; preparar excessivamente; rever vezes sem conta; demorar demasiado tempo em detalhes; evitar entregar; ou desistir porque sente que nunca ficará suficientemente bom. Assim, aquilo que exteriormente parece falta de organização pode, em alguns casos, estar relacionado com medo de falhar. A comparação constante alimenta o problema As comparações raramente são justas. Tendemos a comparar aquilo que conhecemos profundamente em nós com aquilo que vemos superficialmente nos outros. Sabemos das nossas dúvidas, erros, hesitações e dificuldades. Dos outros vemos sobretudo resultados. Nas redes sociais, no contexto profissional ou académico, esta diferença pode tornar-se ainda maior. A conclusão surge facilmente: “Todos conseguem lidar melhor com isto do que eu.” Mas estamos frequentemente a comparar realidades incompletas. O custo psicológico da autoexigência Quando a exigência deixa de ser flexível, pode surgir:

  • ansiedade;
  • medo intenso de falhar;
  • dificuldade em descansar;
  • culpa quando não se está a produzir;
  • insatisfação persistente;
  • autocriticismo;
  • baixa autoestima;
  • procrastinação;
  • desgaste emocional. Curiosamente, a pessoa pode ter um desempenho objetivamente elevado e continuar a sentir que não chega. Isso acontece porque o critério interno muda constantemente. “Mas se eu deixar de me exigir, não vou acomodar-me?” Esta é uma preocupação frequente. No entanto, reduzir o autocriticismo não significa desistir de objetivos. Existe uma diferença entre: “Quero fazer isto bem.” e “Tenho de fazer isto perfeitamente para provar que tenho valor.” A primeira formulação permite aprendizagem. A segunda transforma cada tarefa numa avaliação pessoal. Podemos manter ambição, rigor e responsabilidade sem utilizar permanentemente a autocrítica como combustível. O que pode ajudar?
  1. Reconhecer as regras internas Experimente identificar expressões como: “Tenho de…” “Devia…” “Não posso falhar…” “Só é válido se…” Estas frases revelam frequentemente padrões de exigência muito rígidos.
  2. Separar desempenho e valor pessoal Um resultado pode ser insatisfatório. Isso não significa que a pessoa seja insuficiente.
  3. Experimentar o “suficientemente bom” Nem todas as tarefas exigem desempenho máximo. Algumas precisam apenas de ficar concluídas.
  4. Observar a autocrítica Pergunte: “Eu falaria desta forma com alguém de quem gosto?” Se a resposta for não, talvez o problema não esteja apenas naquilo que aconteceu, mas na forma como está a falar consigo.
  5. Aprender a tolerar imperfeição A flexibilidade psicológica implica aceitar que erro, incerteza e limitação fazem parte da experiência humana. Quando procurar apoio psicológico? Pode ser útil procurar acompanhamento quando a autoexigência começa a interferir significativamente no bem-estar, nas relações, no trabalho ou na capacidade de descansar. A psicoterapia pode ajudar a identificar padrões de pensamento, crenças de desempenho e esquemas associados à autocrítica e ao valor pessoal. O objetivo não é deixar de querer crescer. É conseguir fazê-lo sem viver permanentemente sob avaliação. Mundo da Psicologia No Mundo da Psicologia acompanhamos adultos com dificuldades relacionadas com autoestima, ansiedade, perfeccionismo e autoexigência. Psicologia, Saúde e Desenvolvimento mundodapsicologia.com 919 278 666

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